Os morcegos do Cerrado que moram em casas
No DF, quase todos os morcegos encontrados em forros, caixas de persiana e juntas de dilatação são insetívoros, como Molossus molossus, Molossus rufus e Tadarida brasiliensis.
Eles comem quilos de mariposas, besouros e mosquitos por noite e são importantes para o ambiente. Mas uma colônia dentro de casa ou escola não é compatível com as normas sanitárias nem com a segurança de quem mora ali.
Por que não se pode usar veneno ou fumaça
Morcegos são animais silvestres protegidos pelo artigo 29 da Lei 9.605/1998. Enxofre, naftalina ou veneno no forro são crime, com multas pesadas. E animais mortos no forro trazem larvas, moscas e cheiro forte de decomposição.
Os riscos de uma colônia no forro
Por isso a remoção exige equipe com equipamento de proteção nível C:
- Histoplasmose (Histoplasma capsulatum): o fungo cresce no guano úmido. Seco, solta esporos que circulam pela ventilação e causam tosse, cansaço extremo e febre alta.
- Raiva: a incidência é controlada pela Vigilância Ambiental do DF (DIVAL), mas um morcego caído no chão durante o dia pode estar doente e morder crianças, cães e gatos.
- Dano à estrutura: a urina tem muita amônia. Em forros de gesso ou madeira, oxida vigas metálicas, amarela o teto e pode causar desabamento parcial.
Como é o controle de morcegos no forro
Seguimos o procedimento recomendado por especialistas em morcegos e pelas autoridades de saúde.
1. Avaliação da colônia
A bióloga estima o tamanho da colônia e confirma que não há filhotes que ainda não voam. Assim nenhum animal fica preso e morre dentro da estrutura.
2. Válvulas de saída única
Mapeamos todas as entradas e instalamos válvulas cônicas de policarbonato flexível nas principais. No anoitecer, os morcegos saem para caçar; na volta, a válvula não os deixa entrar.
3. Vedação definitiva
Quando a bióloga confirma que todos saíram, fechamos frestas, cumeeiras, testeiras e rufos com tela galvanizada de 6 mm, passarinheiras e espuma de poliuretano autoextinguível.
4. Limpeza do guano
A equipe entra no forro com macacão Tyvek e máscara PFF3. O guano é umedecido com solução fungicida e bactericida e depois aspirado com filtro HEPA. O forro fica limpo e sem cheiro.
Relatório para a Vigilância Ambiental
Entregamos o Relatório Técnico de Manejo assinado pela bióloga responsável (CRBio-04), com fotos de antes e depois, a espécie identificada e a comprovação de que nenhum animal morreu. Vale como documento em qualquer fiscalização do GDF.
Barulho de asas ou cheiro forte no forro?
Não suba no forro sem proteção respiratória. Chame a equipe para um diagnóstico seguro.